A polémica instalou-se no futebol africano após a decisão do Comité de Recursos da Confederação Africana de Futebol de atribuir administrativamente a vitória a Marrocos na final da CAN 2025. A deliberação caiu como uma bomba e promete deixar marcas profundas na credibilidade da competição.
Depois de um jogo caótico, carregado de tensão e controvérsia, a CAF decidiu que o abandono temporário do relvado por parte do Senegal configura uma “desistência”, aplicando um resultado administrativo de 3-0 a favor da seleção anfitriã. Resultado: Marrocos é oficialmente campeão, mesmo tendo perdido dentro das quatro linhas.
Do relvado à secretaria: Uma reviravolta explosiva
Recorde-se que a final ficou marcada por um pênalti altamente contestado a favor de Marrocos, decisão que levou os jogadores senegaleses a abandonar o campo em protesto. Minutos depois, regressaram, retomaram o jogo e acabaram por vencer a partida.
Mas, para a CAF, o dano já estava feito.
Baseando-se no artigo 84.º do regulamento da competição, o órgão disciplinar considerou que a saída do relvado constitui desistência, ignorando o facto de o jogo ter sido concluído e o resultado definido em campo.
“Roubo histórico” ou aplicação fria da lei?
A decisão está longe de reunir consenso. Nas redes sociais e entre analistas, multiplicam-se acusações de favorecimento ao país anfitrião.
- “Isto é um atentado ao espírito do futebol”, dizem adeptos senegaleses.
- “As regras são claras, goste-se ou não”, respondem defensores da decisão.
A grande questão impõe-se: Deve uma regra administrativa sobrepor-se ao resultado desportivo?
Credibilidade da CAF em xeque
Este episódio reacende críticas antigas à gestão e transparência da Confederação Africana de Futebol. Para muitos, a organização falhou em proteger a integridade da competição e criou um precedente perigoso.
Se um jogo pode ser decidido fora do campo, mesmo após ter sido concluído, que garantias restam para o futuro?
E agora? Tempestade à vista
Fontes próximas da federação senegalesa admitem a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais. O caso pode mesmo chegar ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), prolongando uma polémica que já ultrapassou fronteiras.
Enquanto isso, Marrocos celebra um título que, para muitos, ficará eternamente marcado por um asterisco.
Fonte(imagem): Francs Jeeux

