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O Silêncio que Destrói o Futebol Santomense

Data da publição: Mar 25, 2026

No artigo de opinião “O SILÊNCIO QUE DESTRÓI O FUTEBOL SANTOMENSE”, publicado na rede social facebook, Daniel Ambrósio dos Santos apresenta uma reflexão crítica e contundente sobre a realidade atual do futebol em São Tomé e Príncipe. Com uma abordagem direta, o autor denuncia problemas estruturais, falhas de gestão e a ausência de responsabilidade dentro da Federação Santomense de Futebol. Mais do que apontar erros, o texto alerta para um fator ainda mais preocupante: o silêncio e a passividade de dirigentes e instituições, que acabam por perpetuar uma crise que afeta clubes, atletas e adeptos. Trata-se de um apelo à consciência, à ética e à necessidade de mudança urgente para salvar o futuro do futebol santomense.

Artigo na íntegra

O actual estado da Federação Santomense de Futebol não pode mais ser ignorado.
Os factos acumulam-se, os problemas repetem-se e as justificações tornam-se cada vez mais frágeis. Quando as irregularidades se tornam rotina e ninguém assume responsabilidades, instala-se um ambiente perigoso onde o silêncio passa a ser cúmplice. E no futebol santomense, infelizmente, quem cala está a consentir.

Nos últimos tempos, têm sido sucessivas as notícias que revelam um cenário preocupante: atrasos no pagamento aos clubes, promessas financeiras não cumpridas, falta de material desportivo, indefinições constantes sobre o arranque do campeonato e sinais evidentes de degradação do Estádio Nacional 12 de Julho, uma das principais infra-estruturas desportivas do país.
Estes não são problemas isolados. São sintomas claros de uma gestão sem planeamento, sem transparência e sem capacidade de resposta.

Mais grave ainda é constatar que, perante este cenário, muitos dirigentes desportivos preferem o silêncio. Em vez de exigirem explicações, prestação de contas e respeito pelos clubes, optam por uma postura passiva, permitindo que os mesmos erros se repitam época após época.
O futebol não pode evoluir quando aqueles que deveriam defendê-lo escolhem acomodar-se.

A crise actual não é responsabilidade exclusiva da direcção da Federação. Ela é também consequência da falta de firmeza de muitos dos seus próprios membros, que aceitam decisões sem questionar, aprovam relatórios sem análise crítica e continuam a legitimar um modelo que claramente não está a produzir resultados.

Quando clubes não recebem apoios prometidos, quando acordos com patrocinadores não são cumpridos e quando não existem consequências para quem falha, o problema deixa de ser apenas financeiro e passa a ser moral.
Sem ética, não há confiança.
Sem confiança, não há organização.
Sem organização, não há futebol.

O caso recente das dificuldades para o arranque do campeonato nacional é apenas mais um exemplo de que o sistema está fragilizado. Um campeonato não pode depender de improvisos, nem de reuniões de última hora para decidir aquilo que deveria estar definido com meses de antecedência.

Isto demonstra falta de planeamento, falta de liderança e falta de respeito pelos clubes, pelos atletas e pelos adeptos.

Também preocupa o estado do Estádio Nacional 12 de Julho, cuja degradação visível representa não apenas um problema estrutural, mas um símbolo do abandono a que o desporto tem sido votado. Um país que não cuida das suas infra-estruturas desportivas demonstra, na prática, que não considera o desporto uma prioridade.

Neste contexto, posições firmes e decisões de consciência tornam-se inevitáveis. Quando não existem condições para exercer funções com dignidade, quando os princípios deixam de ser respeitados e quando a transparência deixa de ser um valor, a única atitude coerente é não compactuar.
Demitir-se, denunciar e recusar participar num sistema que não funciona não é fraqueza é responsabilidade.

O futebol santomense precisa urgentemente de uma mudança de mentalidade.
Precisa de dirigentes com coragem para dizer não.
Precisa de clubes que não tenham medo de exigir respeito.
Precisa de instituições que prestem contas.
E precisa, acima de tudo, de colocar o interesse do desporto acima dos interesses pessoais.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos a assistir ao mesmo ciclo: promessas, atrasos, justificações e silêncio.

E no futebol santomense, o silêncio já dura há demasiado tempo.

Fonte e Imagem: Daniel Ambrósio dos Santos

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Publicado por: Redação

O Silêncio que Destrói o Futebol Santomense

Data da publição: Mar 25, 2026

No artigo de opinião “O SILÊNCIO QUE DESTRÓI O FUTEBOL SANTOMENSE”, publicado na rede social facebook, Daniel Ambrósio dos Santos apresenta uma reflexão crítica e contundente sobre a realidade atual do futebol em São Tomé e Príncipe. Com uma abordagem direta, o autor denuncia problemas estruturais, falhas de gestão e a ausência de responsabilidade dentro da Federação Santomense de Futebol. Mais do que apontar erros, o texto alerta para um fator ainda mais preocupante: o silêncio e a passividade de dirigentes e instituições, que acabam por perpetuar uma crise que afeta clubes, atletas e adeptos. Trata-se de um apelo à consciência, à ética e à necessidade de mudança urgente para salvar o futuro do futebol santomense.

Artigo na íntegra

O actual estado da Federação Santomense de Futebol não pode mais ser ignorado.
Os factos acumulam-se, os problemas repetem-se e as justificações tornam-se cada vez mais frágeis. Quando as irregularidades se tornam rotina e ninguém assume responsabilidades, instala-se um ambiente perigoso onde o silêncio passa a ser cúmplice. E no futebol santomense, infelizmente, quem cala está a consentir.

Nos últimos tempos, têm sido sucessivas as notícias que revelam um cenário preocupante: atrasos no pagamento aos clubes, promessas financeiras não cumpridas, falta de material desportivo, indefinições constantes sobre o arranque do campeonato e sinais evidentes de degradação do Estádio Nacional 12 de Julho, uma das principais infra-estruturas desportivas do país.
Estes não são problemas isolados. São sintomas claros de uma gestão sem planeamento, sem transparência e sem capacidade de resposta.

Mais grave ainda é constatar que, perante este cenário, muitos dirigentes desportivos preferem o silêncio. Em vez de exigirem explicações, prestação de contas e respeito pelos clubes, optam por uma postura passiva, permitindo que os mesmos erros se repitam época após época.
O futebol não pode evoluir quando aqueles que deveriam defendê-lo escolhem acomodar-se.

A crise actual não é responsabilidade exclusiva da direcção da Federação. Ela é também consequência da falta de firmeza de muitos dos seus próprios membros, que aceitam decisões sem questionar, aprovam relatórios sem análise crítica e continuam a legitimar um modelo que claramente não está a produzir resultados.

Quando clubes não recebem apoios prometidos, quando acordos com patrocinadores não são cumpridos e quando não existem consequências para quem falha, o problema deixa de ser apenas financeiro e passa a ser moral.
Sem ética, não há confiança.
Sem confiança, não há organização.
Sem organização, não há futebol.

O caso recente das dificuldades para o arranque do campeonato nacional é apenas mais um exemplo de que o sistema está fragilizado. Um campeonato não pode depender de improvisos, nem de reuniões de última hora para decidir aquilo que deveria estar definido com meses de antecedência.

Isto demonstra falta de planeamento, falta de liderança e falta de respeito pelos clubes, pelos atletas e pelos adeptos.

Também preocupa o estado do Estádio Nacional 12 de Julho, cuja degradação visível representa não apenas um problema estrutural, mas um símbolo do abandono a que o desporto tem sido votado. Um país que não cuida das suas infra-estruturas desportivas demonstra, na prática, que não considera o desporto uma prioridade.

Neste contexto, posições firmes e decisões de consciência tornam-se inevitáveis. Quando não existem condições para exercer funções com dignidade, quando os princípios deixam de ser respeitados e quando a transparência deixa de ser um valor, a única atitude coerente é não compactuar.
Demitir-se, denunciar e recusar participar num sistema que não funciona não é fraqueza é responsabilidade.

O futebol santomense precisa urgentemente de uma mudança de mentalidade.
Precisa de dirigentes com coragem para dizer não.
Precisa de clubes que não tenham medo de exigir respeito.
Precisa de instituições que prestem contas.
E precisa, acima de tudo, de colocar o interesse do desporto acima dos interesses pessoais.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos a assistir ao mesmo ciclo: promessas, atrasos, justificações e silêncio.

E no futebol santomense, o silêncio já dura há demasiado tempo.

Fonte e Imagem: Daniel Ambrósio dos Santos

Publicado por: Redação

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