A indignação ganhou uma nova dimensão e um peso político significativo após as duras declarações do antigo ministro Wando Castro sobre o estado do futebol santomense. Não se trata de uma crítica qualquer: vem de uma figura que já esteve no centro das decisões governativas e que conhece, por dentro, os mecanismos do poder.
E é precisamente isso que torna o alerta ainda mais grave.
Wando Castro não escreveu como um simples adepto frustrado com derrotas. Falou como um ex-governante indignado com o rumo de um setor que, na sua visão, falhou em toda a linha. A sua proposta suspender voluntariamente as seleções nacionais das competições internacionais por um período de 5 a 10 anos, não é apenas polémica, é um verdadeiro sinal de rutura.
A origem desta onda de indignação é clara: maus resultados sucessivos da seleção nacional, acompanhados por relatos constantes de falta de condições, desorganização crónica e ausência total de planeamento estratégico. Para o ex-ministro, continuar neste caminho não é apenas inútil é prejudicial para a dignidade do país.
A crítica ganha ainda mais força quando direcionada à Federação Nacional de Futebol. Segundo Wando Castro, o modelo de gestão atual está completamente esgotado e incapaz de responder às exigências mínimas do futebol moderno. A acusação é direta: a federação não tem servido o interesse coletivo.
E quando um antigo membro do Governo chega a este ponto, a questão deixa de ser apenas desportiva torna-se política.
A proposta de suspensão surge, assim, como uma tentativa de travar a decadência e criar espaço para uma reconstrução profunda. Um “tempo de carência” que permitiria investir em infraestruturas, formar quadros técnicos qualificados, revitalizar o desporto escolar e reorganizar os campeonatos nacionais, tanto no masculino como no feminino.
Mas a pergunta que ecoa é inevitável: como foi possível chegar até aqui?
O silêncio, a passividade e a falta de responsabilização ao longo dos anos criaram um ambiente onde o fracasso se tornou normal. E é exatamente essa normalização que Wando Castro rejeita de forma veemente.
Ao defender uma intervenção mais assertiva, inclusive com o envolvimento do Governo, o antigo ministro toca num ponto sensível. A linha entre autonomia desportiva e responsabilidade nacional é ténue, mas quando a seleção deixa de representar orgulho e passa a simbolizar desorganização, algo tem de mudar.
As palavras de Wando Castro são duras, incómodas e, para muitos, até excessivas. Mas talvez seja precisamente esse o choque necessário para acordar um sistema que há muito deixou de funcionar.
Porque, no fim, a maior polémica não está na proposta de suspensão está no facto de ela fazer cada vez mais sentido para uma parte crescente da sociedade santomense.
Fonte: Wando Castro (Facebook)

