Um problema antigo, várias vezes denunciado nos bastidores do futebol santomense, ameaça agora ter consequências diretas no desenrolar das competições nacionais.
Uma carta da Associação dos Árbitros, a que o Futebol STP teve acesso, datada desta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, e assinada pelo presidente da associação, Adélcio Costa, foi dirigida ao presidente da Federação Santomense de Futebol e coloca em cima da mesa uma medida de força: a paralisação das atividades já neste fim de semana, caso os pagamentos em atraso não sejam regularizados.
No documento, a Associação reconhece que têm existido pagamentos por parte da Federação, mas alerta para atrasos considerados significativos. Segundo a carta, os valores relativos à arbitragem chegam a acumular-se por até seis jornadas.
A situação descrita para os árbitros estagiários é ainda mais preocupante. A Associação afirma que existem casos em que estes chegam a realizar dez jogos sem receber os respetivos subsídios.
“Queremos informar que iremos parar as nossas actividades neste fim de semana, caso os pagamentos em atraso não sejam regularizados”, lê-se na comunicação enviada à Federação.
Um problema que deixou de estar apenas nos bastidores
A questão ganha particular dimensão porque não surge agora. As dificuldades relacionadas com o pagamento dos subsídios de arbitragem têm sido denunciadas em diferentes momentos, muitas vezes de forma anónima, sem que os envolvidos quisessem assumir publicamente as reclamações.
Desta vez, porém, há uma posição institucional, por escrito e assinada pelo presidente da Associação dos Árbitros. A carta refere ainda que segue em anexo uma lista com os nomes dos árbitros que não receberam os seus subsídios.
O assunto torna-se ainda mais sensível numa fase decisiva das competições. Se a ameaça de paralisação se concretizar, poderá colocar em causa a realização dos jogos previstos para o próximo fim de semana, dependendo naturalmente da resposta da Federação e da eventual regularização dos valores reclamados.
E a pergunta torna-se inevitável: como pode o futebol santomense exigir uma arbitragem cada vez mais profissional quando aqueles que asseguram os jogos denunciam atrasos que, em alguns casos, chegam a várias jornadas?
Príncipe já viveu problema semelhante
A situação não é completamente inédita no futebol nacional. Na Região Autónoma do Príncipe também foram registados problemas relacionados com pagamentos à arbitragem, situação que acabou posteriormente por ser resolvida.
Em São Tomé, contudo, a recorrência das reclamações aumenta a pressão sobre quem dirige o futebol. Já não se trata apenas de relatos anónimos ou conversas de bastidores: existe agora uma comunicação formal que estabelece um prazo implícito – regularizar os pagamentos ou enfrentar uma paralisação.
A Federação Santomense de Futebol terá, por isso, uma questão urgente para resolver antes de a bola voltar a rolar.

