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O homem por detrás da conquista: Moisés Silva revela os segredos do campeão do Príncipe

Data da publição: Nov 6, 2026

Moisés Silva, o treinador que devolveu o título ao 1.º de Maio 23 anos depois: «Todos sonhamos com este momento»

 

Em entrevista exclusiva ao Futebol STP, o treinador do Clube Desportivo 1.º de Maio, Moisés Silva, recorda o percurso que o levou ao comando técnico da formação campeã do Príncipe, revela os desafios enfrentados ao longo da temporada e destaca a união do grupo como um dos principais fatores para a conquista histórica. Com o título regional assegurado, o técnico aponta agora à Taça do Príncipe e à Finalíssima do Campeonato Nacional, mantendo a ambição de prolongar uma época que já entrou para a história do clube.

O futebol escreve, por vezes, histórias que ultrapassam os resultados dentro das quatro linhas. Histórias de persistência, superação e ambição, construídas ao longo de meses de trabalho e alimentadas pela esperança de devolver a uma instituição o prestígio de outros tempos.

Foi precisamente isso que aconteceu com o Clube Desportivo 1.º de Maio, que, 23 anos depois, voltou a conquistar o título de campeão da Região Autónoma do Príncipe.

No centro desta conquista está Moisés Silva, um treinador ainda numa fase relativamente jovem da carreira, mas que conseguiu transformar um projeto ambicioso numa realidade histórica para o clube.

A formação do 1.º de Maio terminou o campeonato regional de 2026 com números expressivos: 49 pontos, 16 vitórias, um empate e três derrotas, num percurso em que apontou 58 golos e sofreu apenas 12.

O título ficou matematicamente confirmado com uma goleada por 8-0 diante do Sundy, numa partida em que Jaymilson, melhor marcador do campeonato com 20 golos, voltou a evidenciar a eficácia ofensiva da equipa.

Mas a caminhada até à consagração esteve longe de ser um percurso sem obstáculos. As duas derrotas sofridas diante dos Operários, um dos principais adversários na disputa pelo título, colocaram à prova a capacidade de reação do grupo e a liderança da equipa técnica.

A resposta surgiu nos momentos decisivos, com destaque para o triunfo por 2-0 sobre os Operários, a 13 de setembro, resultado que reforçou a posição do 1.º de Maio na liderança e aproximou a equipa da conquista do campeonato.

Numa entrevista exclusiva ao Futebol STP, Moisés Silva revisita os principais momentos desta campanha, explica as dificuldades encontradas e revela as ambições para os desafios que ainda aguardam o campeão regional.

 

Dos Operários ao 1.º de Maio: o percurso de um treinador em afirmação

Antes de alcançar o primeiro grande título como treinador principal, Moisés Silva percorreu um caminho de aprendizagem e acumulação de experiências no futebol do Príncipe.

A ligação ao futebol técnico começou precisamente nos Operários, clube que viria a tornar-se um dos seus principais adversários na luta pelo campeonato.

Segundo explicou ao Futebol STP, iniciou o percurso em 2016, ligado ao trabalho com guarda-redes, tendo assumido funções de treinador-adjunto a partir de 2019, cargo que desempenhou até 2023.

Durante esse período, trabalhou ao lado do treinador Vladimir, uma experiência que considera fundamental para o desenvolvimento das suas competências.

«Comecei a carreira como treinador-adjunto nos Operários. Em 2016, comecei a trabalhar com guarda-redes e, a partir de 2019, passei a exercer funções de treinador-adjunto até 2023. Adquiri muita experiência ao trabalhar durante todos esses anos com o mister Vladimir», recordou.

Em 2024, iniciou uma nova etapa no Porto Real, onde integrou a equipa técnica como adjunto durante a primeira volta do campeonato. No ano seguinte, regressou ao mesmo clube, desta vez para assumir o comando técnico principal.

O convite do 1.º de Maio surgiu numa altura em que o clube já desenvolvia um projeto desportivo que procurava devolver a equipa aos lugares de destaque do futebol regional.

Para Moisés Silva, o desafio representava uma oportunidade de colocar a experiência adquirida ao serviço de uma ambição coletiva.

«Quando recebi o convite do 1.º de Maio, abracei o projeto porque a equipa já vinha a desenvolver um trabalho há dois anos. Pensei que poderia contribuir para esse objetivo e sabia que, com o apoio de todos, seríamos capazes de alcançar aquilo que pretendíamos», explicou.

A aposta revelou-se acertada. Na primeira temporada à frente da equipa, o treinador conseguiu conduzir o clube à conquista de um campeonato que lhe escapava há mais de duas décadas.

 

Duas derrotas diante dos Operários e uma resposta construída no balneário

A campanha vitoriosa do 1.º de Maio também conheceu momentos de incerteza.

As derrotas frente aos Operários, incluindo o desaire por 2-0 registado a 2 de agosto, representaram obstáculos importantes numa luta pelo título em que a margem de erro era cada vez mais reduzida.

Questionado sobre a forma como conseguiu recuperar a confiança dos jogadores e manter o grupo unido, Moisés Silva destacou sobretudo a reação dos próprios atletas.

O treinador reconheceu que gerir momentos adversos nunca é simples, mas considerou determinante a consciência coletiva de que o objetivo traçado no início da temporada continuava ao alcance da equipa.

«As dificuldades fazem parte da vida e do futebol. Depois de termos perdido duas vezes contra os Operários, a responsabilidade de reagir não dependia apenas da equipa técnica. Unimos forças e os jogadores tomaram uma decisão importante: não podíamos comprometer o objetivo que tínhamos pela frente.»

Na perspetiva do técnico, a vontade demonstrada pelos jogadores foi decisiva para ultrapassar as dificuldades.

Mais do que uma ambição individual do treinador, a conquista do campeonato tornou-se um compromisso assumido por todo o grupo.

«O título não era apenas um objetivo meu, mas também de cada atleta. Eles quiseram verdadeiramente conquistar este campeonato», acrescentou.

A capacidade de resposta acabou por se refletir nos resultados, permitindo ao 1.º de Maio recuperar o equilíbrio emocional e manter-se firme na corrida pelo primeiro lugar.

 

Uma equipa equilibrada, construída através do trabalho diário

Os números finais da temporada traduzem a consistência competitiva do campeão regional.

Com 58 golos marcados e apenas 12 sofridos em 20 encontros, o 1.º de Maio apresentou um rendimento que combinou eficácia ofensiva com segurança defensiva.

Contudo, para Moisés Silva, construir uma identidade coletiva não foi uma tarefa imediata.

O treinador reconheceu que as características individuais dos jogadores exigiram um trabalho de adaptação e organização, procurando encontrar soluções que permitissem tirar o melhor rendimento do plantel.

«Não foi fácil criar uma identidade de jogo para a equipa, tendo em conta as diferentes características dos jogadores. Mas os resultados alcançados pelo 1.º de Maio eram aquilo que esperávamos, porque trabalhámos nesse sentido desde o início e procurámos melhorar a cada dia.»

Mais do que destacar um modelo tático específico, o técnico apontou a preparação e o bem-estar dos atletas como princípios importantes da sua metodologia.

«A nossa estratégia passou sempre por procurar manter os atletas nas melhores condições possíveis», salientou.

A regularidade demonstrada ao longo do campeonato acabou por confirmar a eficácia do trabalho desenvolvido, permitindo à equipa terminar a competição com o melhor registo pontual e conquistar o título regional.

 

O triunfo sobre os Operários que reforçou a confiança do campeão

Entre os momentos mais marcantes da temporada, a vitória por 2-0 sobre os Operários, a 13 de setembro, assumiu particular importância.

O encontro colocava frente a frente duas das principais forças do futebol do Príncipe e apresentava uma dificuldade adicional para o 1.º de Maio: o adversário já tinha conseguido vencer os dois confrontos anteriores.

Para Moisés Silva, a preparação desse jogo exigiu uma análise cuidadosa das características da equipa adversária.

O conhecimento mútuo entre os dois conjuntos obrigou a um trabalho específico, tanto na componente estratégica como na preparação mental dos jogadores.

«Todos os momentos foram decisivos, mas nem sempre as coisas acontecem como esperamos. Sabíamos que tínhamos de estudar melhor o nosso adversário, até porque nos conhecíamos muito bem. Felizmente, os atletas compreenderam e colocaram em prática a mensagem que lhes transmitimos.»

O resultado representou mais do que três pontos na classificação.

Além de reforçar a liderança, demonstrou a capacidade do 1.º de Maio para superar um adversário que anteriormente lhe tinha causado dificuldades.

Foi uma resposta de personalidade numa fase em que cada resultado podia influenciar o desfecho da luta pelo campeonato.

 

Jaymilson, Kessy e a importância de um grupo unido

Nenhuma análise à campanha do 1.º de Maio ficaria completa sem uma referência ao rendimento individual de alguns dos seus protagonistas.

Jaymilson voltou a destacar-se no futebol do Príncipe, terminando o campeonato como melhor marcador, com 20 golos.

O avançado foi particularmente decisivo na goleada por 8-0 frente ao Sundy, apontando seis golos no encontro que confirmou matematicamente a conquista do título.

Moisés Silva reconheceu a importância do rendimento do seu goleador, destacando a experiência e a capacidade de finalização demonstradas ao longo da temporada.

Ainda assim, o treinador fez questão de sublinhar que o sucesso coletivo não pode ser explicado exclusivamente pelos números de um jogador.

«O Jaymilson tem demonstrado, ao longo dos últimos anos, a sua qualidade como marcador, tanto a nível regional como nacional. É muito importante contar com jogadores assim, mas o espírito coletivo também foi fundamental para o sucesso da equipa.»

O técnico destacou igualmente o papel de Kessy, outro dos jogadores que considera ter contribuído de forma determinante para os resultados alcançados.

«Para além do Jaymilson, que terminou com 20 golos, o Kessy também foi determinante em várias partidas, sem esquecer a contribuição de todos os outros jogadores.»

A gestão do balneário constituiu, segundo Moisés Silva, um dos maiores desafios da temporada.

Conciliar personalidades, manter a motivação e garantir o compromisso de todo o plantel exigiu um esforço permanente da equipa técnica.

«A gestão do balneário nunca foi fácil, mas conseguimos realizar um trabalho coletivo. Foi dessa forma que alcançámos o sucesso», explicou.

Para o treinador, a conquista histórica pertence, por isso, a todos os elementos que participaram no projeto.

 

Um título com significado especial para uma carreira ainda em construção

A conquista do campeonato regional representou um momento de particular importância para Moisés Silva.

Depois de vários anos como treinador-adjunto e de uma experiência como treinador principal no Porto Real, o técnico conseguiu alcançar um dos objetivos mais ambicionados por qualquer profissional: conduzir uma equipa à conquista de um título.

Mas o feito ganha uma dimensão ainda maior quando se considera o longo período de espera do 1.º de Maio.

Foram 23 anos sem conquistar o campeonato regional, uma ausência prolongada que terminou sob a orientação de um treinador determinado em afirmar-se no futebol do Príncipe.

Questionado sobre o significado pessoal desta conquista, Moisés Silva não escondeu a satisfação.

«Este título significa muito para a minha carreira como treinador. Todos sonhamos com um momento destes. É uma sensação muito grande e, ao mesmo tempo, um incentivo para continuar a esforçar-me cada vez mais.»

Apesar da importância do troféu, o técnico encara esta conquista como mais uma etapa de um percurso que pretende continuar a desenvolver.

A ambição de evoluir e alcançar novos objetivos permanece intacta.

«Espero continuar a dar muito mais nesta fase da minha carreira, sempre com a ajuda de Deus», afirmou.

 

Taça do Príncipe e Finalíssima Nacional: a ambição não termina com o campeonato

A conquista do campeonato regional não encerrou os objetivos do 1.º de Maio para esta temporada.

O campeão do Príncipe prepara-se agora para novos desafios, começando pela final da Taça Regional, agendada para sábado, 7 de novembro, diante dos Operários, no Estádio Regional 13 de Junho.

Será mais um capítulo de uma rivalidade que marcou profundamente a temporada.

As duas equipas defrontaram-se quatro vezes no campeonato, com duas vitórias para cada lado, um equilíbrio que aumenta a expectativa em torno do encontro decisivo.

Moisés Silva reconhece a qualidade do adversário e antecipa uma partida exigente, mas garante que o grupo mantém a confiança.

«Temos grandes expectativas. Sabemos que os Operários nos venceram duas vezes, mas nós também conseguimos derrotá-los em duas ocasiões. Isso cria uma expectativa emocional muito grande para este confronto.»

O treinador assegura que a equipa entrará em campo com respeito pelo adversário, mas determinada em lutar por mais um troféu.

«Com todo o respeito pela equipa adversária, sentimos confiança para fazer o nosso melhor. A nossa ambição é muito grande e prometemos dar tudo para alcançar os nossos objetivos.»

Além da Taça do Príncipe, o 1.º de Maio terá pela frente a Finalíssima do Campeonato Nacional, diante do campeão da ilha de São Tomé.

Sobre esse compromisso, Moisés Silva considera particularmente importante o facto de a primeira mão estar prevista para o Príncipe.

«No campeonato nacional, a primeira mão será em nossa casa, o que será muito importante para nós. Sabemos, no entanto, que o adversário também terá as suas estratégias», observou.

Com a possibilidade de acrescentar novos troféus à temporada, o 1.º de Maio procura transformar a conquista regional no ponto de partida para uma afirmação ainda maior no futebol santomense.

 

Moisés Silva e o 1.º de Maio: uma conquista histórica e um futuro de novas exigências

O percurso de Moisés Silva à frente do 1.º de Maio demonstra como um projeto desportivo pode alcançar resultados relevantes quando existe um compromisso entre a equipa técnica, os jogadores e a estrutura do clube.

Depois de duas décadas e três anos de espera, o título regional regressou a uma instituição histórica do futebol do Príncipe, numa campanha marcada pela regularidade, capacidade de reação e rendimento coletivo.

As declarações do treinador revelam um profissional que valoriza o trabalho diário, reconhece a importância da experiência adquirida ao longo da carreira e atribui aos jogadores um papel central no sucesso alcançado.

Mas o verdadeiro alcance desta temporada ainda poderá ir além da conquista do campeonato.

A final da Taça Regional diante dos Operários e a Finalíssima Nacional representam oportunidades para o 1.º de Maio confirmar a sua competitividade perante desafios de elevada exigência.

Para Moisés Silva, estes encontros constituem também uma oportunidade de consolidar o trabalho desenvolvido e continuar a construir a sua afirmação enquanto treinador.

O técnico já conseguiu devolver ao 1.º de Maio um título que escapava ao clube há 23 anos. Agora, procura demonstrar que esta conquista histórica pode ser apenas o início de um ciclo de novos sucessos.

Entrevista exclusiva: Futebol STP

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Publicado por: Redação

O homem por detrás da conquista: Moisés Silva revela os segredos do campeão do Príncipe

Data da publição: Nov 6, 2026

Moisés Silva, o treinador que devolveu o título ao 1.º de Maio 23 anos depois: «Todos sonhamos com este momento»

 

Em entrevista exclusiva ao Futebol STP, o treinador do Clube Desportivo 1.º de Maio, Moisés Silva, recorda o percurso que o levou ao comando técnico da formação campeã do Príncipe, revela os desafios enfrentados ao longo da temporada e destaca a união do grupo como um dos principais fatores para a conquista histórica. Com o título regional assegurado, o técnico aponta agora à Taça do Príncipe e à Finalíssima do Campeonato Nacional, mantendo a ambição de prolongar uma época que já entrou para a história do clube.

O futebol escreve, por vezes, histórias que ultrapassam os resultados dentro das quatro linhas. Histórias de persistência, superação e ambição, construídas ao longo de meses de trabalho e alimentadas pela esperança de devolver a uma instituição o prestígio de outros tempos.

Foi precisamente isso que aconteceu com o Clube Desportivo 1.º de Maio, que, 23 anos depois, voltou a conquistar o título de campeão da Região Autónoma do Príncipe.

No centro desta conquista está Moisés Silva, um treinador ainda numa fase relativamente jovem da carreira, mas que conseguiu transformar um projeto ambicioso numa realidade histórica para o clube.

A formação do 1.º de Maio terminou o campeonato regional de 2026 com números expressivos: 49 pontos, 16 vitórias, um empate e três derrotas, num percurso em que apontou 58 golos e sofreu apenas 12.

O título ficou matematicamente confirmado com uma goleada por 8-0 diante do Sundy, numa partida em que Jaymilson, melhor marcador do campeonato com 20 golos, voltou a evidenciar a eficácia ofensiva da equipa.

Mas a caminhada até à consagração esteve longe de ser um percurso sem obstáculos. As duas derrotas sofridas diante dos Operários, um dos principais adversários na disputa pelo título, colocaram à prova a capacidade de reação do grupo e a liderança da equipa técnica.

A resposta surgiu nos momentos decisivos, com destaque para o triunfo por 2-0 sobre os Operários, a 13 de setembro, resultado que reforçou a posição do 1.º de Maio na liderança e aproximou a equipa da conquista do campeonato.

Numa entrevista exclusiva ao Futebol STP, Moisés Silva revisita os principais momentos desta campanha, explica as dificuldades encontradas e revela as ambições para os desafios que ainda aguardam o campeão regional.

 

Dos Operários ao 1.º de Maio: o percurso de um treinador em afirmação

Antes de alcançar o primeiro grande título como treinador principal, Moisés Silva percorreu um caminho de aprendizagem e acumulação de experiências no futebol do Príncipe.

A ligação ao futebol técnico começou precisamente nos Operários, clube que viria a tornar-se um dos seus principais adversários na luta pelo campeonato.

Segundo explicou ao Futebol STP, iniciou o percurso em 2016, ligado ao trabalho com guarda-redes, tendo assumido funções de treinador-adjunto a partir de 2019, cargo que desempenhou até 2023.

Durante esse período, trabalhou ao lado do treinador Vladimir, uma experiência que considera fundamental para o desenvolvimento das suas competências.

«Comecei a carreira como treinador-adjunto nos Operários. Em 2016, comecei a trabalhar com guarda-redes e, a partir de 2019, passei a exercer funções de treinador-adjunto até 2023. Adquiri muita experiência ao trabalhar durante todos esses anos com o mister Vladimir», recordou.

Em 2024, iniciou uma nova etapa no Porto Real, onde integrou a equipa técnica como adjunto durante a primeira volta do campeonato. No ano seguinte, regressou ao mesmo clube, desta vez para assumir o comando técnico principal.

O convite do 1.º de Maio surgiu numa altura em que o clube já desenvolvia um projeto desportivo que procurava devolver a equipa aos lugares de destaque do futebol regional.

Para Moisés Silva, o desafio representava uma oportunidade de colocar a experiência adquirida ao serviço de uma ambição coletiva.

«Quando recebi o convite do 1.º de Maio, abracei o projeto porque a equipa já vinha a desenvolver um trabalho há dois anos. Pensei que poderia contribuir para esse objetivo e sabia que, com o apoio de todos, seríamos capazes de alcançar aquilo que pretendíamos», explicou.

A aposta revelou-se acertada. Na primeira temporada à frente da equipa, o treinador conseguiu conduzir o clube à conquista de um campeonato que lhe escapava há mais de duas décadas.

 

Duas derrotas diante dos Operários e uma resposta construída no balneário

A campanha vitoriosa do 1.º de Maio também conheceu momentos de incerteza.

As derrotas frente aos Operários, incluindo o desaire por 2-0 registado a 2 de agosto, representaram obstáculos importantes numa luta pelo título em que a margem de erro era cada vez mais reduzida.

Questionado sobre a forma como conseguiu recuperar a confiança dos jogadores e manter o grupo unido, Moisés Silva destacou sobretudo a reação dos próprios atletas.

O treinador reconheceu que gerir momentos adversos nunca é simples, mas considerou determinante a consciência coletiva de que o objetivo traçado no início da temporada continuava ao alcance da equipa.

«As dificuldades fazem parte da vida e do futebol. Depois de termos perdido duas vezes contra os Operários, a responsabilidade de reagir não dependia apenas da equipa técnica. Unimos forças e os jogadores tomaram uma decisão importante: não podíamos comprometer o objetivo que tínhamos pela frente.»

Na perspetiva do técnico, a vontade demonstrada pelos jogadores foi decisiva para ultrapassar as dificuldades.

Mais do que uma ambição individual do treinador, a conquista do campeonato tornou-se um compromisso assumido por todo o grupo.

«O título não era apenas um objetivo meu, mas também de cada atleta. Eles quiseram verdadeiramente conquistar este campeonato», acrescentou.

A capacidade de resposta acabou por se refletir nos resultados, permitindo ao 1.º de Maio recuperar o equilíbrio emocional e manter-se firme na corrida pelo primeiro lugar.

 

Uma equipa equilibrada, construída através do trabalho diário

Os números finais da temporada traduzem a consistência competitiva do campeão regional.

Com 58 golos marcados e apenas 12 sofridos em 20 encontros, o 1.º de Maio apresentou um rendimento que combinou eficácia ofensiva com segurança defensiva.

Contudo, para Moisés Silva, construir uma identidade coletiva não foi uma tarefa imediata.

O treinador reconheceu que as características individuais dos jogadores exigiram um trabalho de adaptação e organização, procurando encontrar soluções que permitissem tirar o melhor rendimento do plantel.

«Não foi fácil criar uma identidade de jogo para a equipa, tendo em conta as diferentes características dos jogadores. Mas os resultados alcançados pelo 1.º de Maio eram aquilo que esperávamos, porque trabalhámos nesse sentido desde o início e procurámos melhorar a cada dia.»

Mais do que destacar um modelo tático específico, o técnico apontou a preparação e o bem-estar dos atletas como princípios importantes da sua metodologia.

«A nossa estratégia passou sempre por procurar manter os atletas nas melhores condições possíveis», salientou.

A regularidade demonstrada ao longo do campeonato acabou por confirmar a eficácia do trabalho desenvolvido, permitindo à equipa terminar a competição com o melhor registo pontual e conquistar o título regional.

 

O triunfo sobre os Operários que reforçou a confiança do campeão

Entre os momentos mais marcantes da temporada, a vitória por 2-0 sobre os Operários, a 13 de setembro, assumiu particular importância.

O encontro colocava frente a frente duas das principais forças do futebol do Príncipe e apresentava uma dificuldade adicional para o 1.º de Maio: o adversário já tinha conseguido vencer os dois confrontos anteriores.

Para Moisés Silva, a preparação desse jogo exigiu uma análise cuidadosa das características da equipa adversária.

O conhecimento mútuo entre os dois conjuntos obrigou a um trabalho específico, tanto na componente estratégica como na preparação mental dos jogadores.

«Todos os momentos foram decisivos, mas nem sempre as coisas acontecem como esperamos. Sabíamos que tínhamos de estudar melhor o nosso adversário, até porque nos conhecíamos muito bem. Felizmente, os atletas compreenderam e colocaram em prática a mensagem que lhes transmitimos.»

O resultado representou mais do que três pontos na classificação.

Além de reforçar a liderança, demonstrou a capacidade do 1.º de Maio para superar um adversário que anteriormente lhe tinha causado dificuldades.

Foi uma resposta de personalidade numa fase em que cada resultado podia influenciar o desfecho da luta pelo campeonato.

 

Jaymilson, Kessy e a importância de um grupo unido

Nenhuma análise à campanha do 1.º de Maio ficaria completa sem uma referência ao rendimento individual de alguns dos seus protagonistas.

Jaymilson voltou a destacar-se no futebol do Príncipe, terminando o campeonato como melhor marcador, com 20 golos.

O avançado foi particularmente decisivo na goleada por 8-0 frente ao Sundy, apontando seis golos no encontro que confirmou matematicamente a conquista do título.

Moisés Silva reconheceu a importância do rendimento do seu goleador, destacando a experiência e a capacidade de finalização demonstradas ao longo da temporada.

Ainda assim, o treinador fez questão de sublinhar que o sucesso coletivo não pode ser explicado exclusivamente pelos números de um jogador.

«O Jaymilson tem demonstrado, ao longo dos últimos anos, a sua qualidade como marcador, tanto a nível regional como nacional. É muito importante contar com jogadores assim, mas o espírito coletivo também foi fundamental para o sucesso da equipa.»

O técnico destacou igualmente o papel de Kessy, outro dos jogadores que considera ter contribuído de forma determinante para os resultados alcançados.

«Para além do Jaymilson, que terminou com 20 golos, o Kessy também foi determinante em várias partidas, sem esquecer a contribuição de todos os outros jogadores.»

A gestão do balneário constituiu, segundo Moisés Silva, um dos maiores desafios da temporada.

Conciliar personalidades, manter a motivação e garantir o compromisso de todo o plantel exigiu um esforço permanente da equipa técnica.

«A gestão do balneário nunca foi fácil, mas conseguimos realizar um trabalho coletivo. Foi dessa forma que alcançámos o sucesso», explicou.

Para o treinador, a conquista histórica pertence, por isso, a todos os elementos que participaram no projeto.

 

Um título com significado especial para uma carreira ainda em construção

A conquista do campeonato regional representou um momento de particular importância para Moisés Silva.

Depois de vários anos como treinador-adjunto e de uma experiência como treinador principal no Porto Real, o técnico conseguiu alcançar um dos objetivos mais ambicionados por qualquer profissional: conduzir uma equipa à conquista de um título.

Mas o feito ganha uma dimensão ainda maior quando se considera o longo período de espera do 1.º de Maio.

Foram 23 anos sem conquistar o campeonato regional, uma ausência prolongada que terminou sob a orientação de um treinador determinado em afirmar-se no futebol do Príncipe.

Questionado sobre o significado pessoal desta conquista, Moisés Silva não escondeu a satisfação.

«Este título significa muito para a minha carreira como treinador. Todos sonhamos com um momento destes. É uma sensação muito grande e, ao mesmo tempo, um incentivo para continuar a esforçar-me cada vez mais.»

Apesar da importância do troféu, o técnico encara esta conquista como mais uma etapa de um percurso que pretende continuar a desenvolver.

A ambição de evoluir e alcançar novos objetivos permanece intacta.

«Espero continuar a dar muito mais nesta fase da minha carreira, sempre com a ajuda de Deus», afirmou.

 

Taça do Príncipe e Finalíssima Nacional: a ambição não termina com o campeonato

A conquista do campeonato regional não encerrou os objetivos do 1.º de Maio para esta temporada.

O campeão do Príncipe prepara-se agora para novos desafios, começando pela final da Taça Regional, agendada para sábado, 7 de novembro, diante dos Operários, no Estádio Regional 13 de Junho.

Será mais um capítulo de uma rivalidade que marcou profundamente a temporada.

As duas equipas defrontaram-se quatro vezes no campeonato, com duas vitórias para cada lado, um equilíbrio que aumenta a expectativa em torno do encontro decisivo.

Moisés Silva reconhece a qualidade do adversário e antecipa uma partida exigente, mas garante que o grupo mantém a confiança.

«Temos grandes expectativas. Sabemos que os Operários nos venceram duas vezes, mas nós também conseguimos derrotá-los em duas ocasiões. Isso cria uma expectativa emocional muito grande para este confronto.»

O treinador assegura que a equipa entrará em campo com respeito pelo adversário, mas determinada em lutar por mais um troféu.

«Com todo o respeito pela equipa adversária, sentimos confiança para fazer o nosso melhor. A nossa ambição é muito grande e prometemos dar tudo para alcançar os nossos objetivos.»

Além da Taça do Príncipe, o 1.º de Maio terá pela frente a Finalíssima do Campeonato Nacional, diante do campeão da ilha de São Tomé.

Sobre esse compromisso, Moisés Silva considera particularmente importante o facto de a primeira mão estar prevista para o Príncipe.

«No campeonato nacional, a primeira mão será em nossa casa, o que será muito importante para nós. Sabemos, no entanto, que o adversário também terá as suas estratégias», observou.

Com a possibilidade de acrescentar novos troféus à temporada, o 1.º de Maio procura transformar a conquista regional no ponto de partida para uma afirmação ainda maior no futebol santomense.

 

Moisés Silva e o 1.º de Maio: uma conquista histórica e um futuro de novas exigências

O percurso de Moisés Silva à frente do 1.º de Maio demonstra como um projeto desportivo pode alcançar resultados relevantes quando existe um compromisso entre a equipa técnica, os jogadores e a estrutura do clube.

Depois de duas décadas e três anos de espera, o título regional regressou a uma instituição histórica do futebol do Príncipe, numa campanha marcada pela regularidade, capacidade de reação e rendimento coletivo.

As declarações do treinador revelam um profissional que valoriza o trabalho diário, reconhece a importância da experiência adquirida ao longo da carreira e atribui aos jogadores um papel central no sucesso alcançado.

Mas o verdadeiro alcance desta temporada ainda poderá ir além da conquista do campeonato.

A final da Taça Regional diante dos Operários e a Finalíssima Nacional representam oportunidades para o 1.º de Maio confirmar a sua competitividade perante desafios de elevada exigência.

Para Moisés Silva, estes encontros constituem também uma oportunidade de consolidar o trabalho desenvolvido e continuar a construir a sua afirmação enquanto treinador.

O técnico já conseguiu devolver ao 1.º de Maio um título que escapava ao clube há 23 anos. Agora, procura demonstrar que esta conquista histórica pode ser apenas o início de um ciclo de novos sucessos.

Entrevista exclusiva: Futebol STP

Publicado por: Redação

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